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Manifesto Urbano De Alimentação Alternativa

Agricultura e Sustentabilidade

Os primeiros impactes no ambiente começaram a sentir-se uma década e meia depois da Guerra. Foi também neste período que emergiu uma classe média com interesses na qualidade ambiental, ao mesmo tempo que começaram a aparecer os primeiros excedentes de produção agrícola e que surgiram novas pragas, face à resistência dos insectos ao uso generalizado de pesticidas.

Todos estes factores despertaram a opinião pública para as questões ambientais. Um dos marcos da revolução ambientalista e do surgimento de uma consciência ecológica foi a publicação, em 1962, do livro Primavera Silenciosa da bióloga Rachel Carson (1907-1964), que condenava o uso indiscriminado de pesticidas na agricultura.

O DDT (diclorodifeniltricloroetano), foi um pesticida muito utilizado, na altura da Segunda Guerra Mundial, como forma de protecção das tropas americanas, contra a malária – doença transmitida por mosquitos. Depois da guerra, a agricultura foi o motivo para dar saída às enormes quantidades de pesticida armazenadass e para manter em funcionamento as grandes fábricas que foram montadas para o produzir. O problema é que o DDT, quando usado em larga escala, não só matava os mosquitos nocivos, como também todos os insetos benéficos, como as abelhas e até mesmo os pássaros.

Aplicação de pesticidas em monocultura de alface.

Com o objectivo específico de chamar a atenção das nações para o facto de que a acção humana estava a provocar uma séria degradação da natureza e a criar graves problemas para o bem estar e para a própria sobrevivência da humanidade, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que se deu em Estocolmo, no ano de 1972.

Nesta conferência emergiu o conceito de ecodesenvolvimento, em oposição à teoria que defendia o crescimento económico como a única condição necessária para o progresso. Aplicado ao sector agrícola, o novo conceito de desenvolvimento sustentável reflectia as idéias de que o desenvolvimento para ser sustentável deve ser, não apenas economicamente eficiente, mas também ecologicamente prudente e socialmente desejável. A definição para o conceito de agricultura sustentável, proposto em 1991, no âmbito da conferência de Hertogenbosch, pela Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), dizia o seguinte:

… “A agricultura sustentável é o manejo e conservação dos recursos naturais e a orientação de mudanças tecnológicas e institucionais, de tal maneira a assegurar a satisfação de necessidades humanas de forma continuada para as gerações presentes e futuras. Tal desenvolvimento sustentável conserva o solo, a água e recursos genéticos animais e vegetais; não degrada o meio ambiente; é tecnicamente apropriado, economicamente viável e socialmente aceitável”.

Contudo, as particularidades dos diversos sectores produtivos dificultou a especificação do conceito. Hoje existem mais de uma centena de definições para agricultura sustentável, não sendo possível definir nenhuma como a mais correta. Basicamente a agricultura sustentável define-se em oposição à agricultura convencional, industrializada e dependente de aditivos exógenos. A seguir à Revolução Industrial, a simplificação da agricultura, adoptada por alguns sectores agrários no sentido de aumentar a produção de alimentos, veio provocar a perda da biodiversidade, que depende fundamentalmente da complexidade. O equilíbrio e a estabilidade de um novo sistema simplificado pelo Homem passam, portanto, a depender de uma permanente interferência do próprio Homem. O critério principal que permite identificar a agricultura sustentável é a integração  dos bens e serviços dos próprios ecossistemas no processo de produção, optimizando as condições existentes, adaptando as culturas ao clima e ao solo e beneficiando de sinergias entre os seres vivos que compõem o sistema agrícola. Deste modo, a agricultura sustentável pode reduzir o uso de fertilizantes, pesticidas e até mesmo sementes.

Diversidade de culturas, numa exploração de  agricultura biológica.

A dimensão económica e social da agricultura também é determinante para o conceito de sustentabilidade. Para isso o sistema agrícola tem de se adaptar às condições locais – introduzindo as mudanças necessárias provocadas pelas alterações contínuas – onde se satisfaçam as necessidades do presente, ao mesmo tempo que não se compromete o futuro.

A agricultura industrializada mede o seu sucesso apenas em termos de aumento da produtividade e da rentabilidade. A agricultura sustentável pretende produzir alimentos saudáveis, por pessoas saudáveis, num ambiente saudável.

Bibliografia e Webgrafia:

ROMEIRO, Ademar Ribeiro, Agricultura sustentável, tecnologia e desenvolvimento rural, ftp://ftp.sp.gov.br/ftpinstitutodeterras/sustentavel.doc

http://www.quercus.pt/scid/webquercus/defaultCategoryViewOne.asp?categoryId=631

SANTOS, José Lima, Conferências, Ambiente: Porquê ler os clássicos?, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 7 Out 2011

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Filed under: Ecologia e Preservação ambiental

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