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Manifesto Urbano De Alimentação Alternativa

Cadeia alimentar

O afastamento do Homem em relação à Natureza.  Frame do filme Food, Inc.

 

Na Natureza, uma cadeia alimentar consiste na permanente transferência de matéria e energia entre os seres vivos que constituem um determinado ecossistema. O Homem, desde cedo, desenvolveu a capacidade de modificar a sua cadeia alimentar através de tecnologias tão revolucionárias como cozinhar – utilizando o fogo – caçar com a ajuda de utensílios, cultivar a terra ou conservar a comida.

Durante os séculos XVIII e XIX, com o acentuado crescimento demográfico provocado pela consolidação do capitalismo e da Revolução Industrial, a produção de alimentos aumentou, provocando o crescimento da população, principalmente na Europa e nos EUA. Este fenómeno deu origem a algumas teorias, entre ao quais se destacou o malthusianismo. Esta teoria, criada por Thomas Malthus (1766-1834), economista e demógrafo inglês, foi a primeira teoria populacional a relacionar o crescimento da população com a fome, afirmando a tendência do crescimento populacional em progressão geométrica, e do crescimento da oferta de alimentos em progressão aritmética. Malthus, aponta como consequência da sua teoria: a fome, ou seja, a falta de alimentos para abastecer as necessidades de consumo do planeta, e as mortes, doenças, guerras civis e disputas por novos territórios.

A “Revolução Verde”, iniciada já no séc. XX, teve como grande objectivo resolver o problema da fome através do cultivo intensivo e da industrialização. Das 7 mil espécies de plantas que já constaram da dieta do ser humano, hoje restam pouco mais de 20. A alimentação básica diária da população mundial depende fundamentalmente de 8 cereais – trigo, cevada, milho, arroz, centeio, milho-miúdo, aveia e sorgo. O mesmo se passa com a pecuária, que se resume à produção de algumas espécies ruminantes (bovinos, ovinos e caprinos), bem como à suinicultura, avicultura e piscicultura. Actualmente a “Revolução Biotecnológica”, com os designados seres transgénicos, foi apresentada também como a solução para resolver o problema da fome no mundo. Com estas revoluções, o Homem , diminuiu a variedade de espécies de plantas e animais da sua alimentação. O regime alimentar está cada vez mais uniformizado e as várias dietas tradicionais têm vindo a ser substituídas pela chamada dieta ocidental, caracterizada pelo aumento do consumo de carne, lacticínios, produtos processados industrialmente e pré-cozinhados.

No fim do século XX os nutrientes passaram a substituir a comida na visão popular do que significa comer. Actualmente, os alimentos são vendidos apenas com base nos seus benefícios para a saúde – ou porque reduzem o colesterol, ou porque têm muitas fibras. Os nutrientes tornaram-se mais importantes que a comida em si e o alimento passou a ser um simples intermediário na entrega destas substâncias. Hoje, toda a cadeia alimentar que mantém o Homem no seu topo – desde as plantas agrícolas, até às espécies pecuárias – está subjugada ao conceito de Fast Food. Uma refeição que se encontra no fim da cadeia alimentar industrial, iniciada num campo de milho do Iowa, é preparada pela McDonal’s e comida num carro em movimento.

À industrialização associa-se o controlo pela comercialização e distribuição dos alimentos, havendo actualmente grandes multinacionais que controlam a maior parte dos alimentos para consumo humano e matérias-primas para as rações animais. As 5 principais empresas que controlam a produção, transformação e distribuição de alimentos a nível mundial são a Monsanto, a Parmalat, a Nestlé, a Unilever e Asda Wal-Mart.

A relação do Homem com a comida está mudada. A indústria alimentar criou o falso mito de que, para sobreviver, o Homem não depende das outras espécies com quem partilha o Planeta. Hoje já não se sabe de onde vem a comida e o conhecimento da cadeia produtiva dos alimentos está a ser substituída pelo saber do lugar que os alimentos ocupam na prateleira de uma cadeia de supermercados.

É importante que se recupere o conhecimento da natureza e o poder de decisão sobre as escolhas alimentares e a melhor forma das preparar. Como diria Michael Pollan importa não comer nada que a nossa avó não reconhecesse como comida.

http://content.bitsontherun.com/players/46Oa1XrL-5Z0lSrn8.html

 

POLLAN, Michael, O Dilema do Omnívoro, D. Quixote, 2009.

POLLAN, Michael, Em Defesa da Comida, Manifesto de um consumidor, D. Quixote, 2010.

PAIVA, Jorge, A relevância da Biodiversidade, Jornal Quercus Ambiente, http://jornal.quercus.pt/scid/subquercus/defaultarticleViewOne.asp?categorySiteID=357&articleSiteID=2025

KENNER, Robert, Food, Inc.. 2008

 

Filed under: Antropologia e Cadeia alimentar

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