MUDeAA

Ícone

Manifesto Urbano De Alimentação Alternativa

Agricultura e Alimentação – sistemas alternativos

O Homem está cada vez mais dependente da tecnologia para se alimentar. A ideia de lucro impôs-se às necessidades alimentares e ao respeito pela Natureza. Hoje em dia – produção e consumo – estão de tal maneira afastados, que já não se sabe de onde vem a comida.

Para reverter este processo é preciso mudar o paradigma actual. O design apresenta-se hoje como uma forma de pensar o mundo e, a par com a tecnologia, deixou de ser encarado como um fim, para passar a ser um meio de valorizar as pessoas, as relações sociais e a sustentabilidade.

John Thackara, jornalista e filósofo, tem sido um dos que mais tem escrito, sobre a forma como o design pode encurtar o caminho rumo à sustentabilidade. No contexto específico da alimentação, Thackara refere que o desafio do design é unir os diferentes recursos e oportunidades.

O equilíbrio ecológico de uma cidade é muito complexo, o que implica uma grande coordenação entre distribuidores, consumidores e produtores. Neste sentido, a agricultura urbana apresenta-se como uma importante parte dos programas de design de serviços e infra-estruturas, para fazer com que os centros urbanos sejam mais sustentáveis.

Um dos exemplos das ideias de Thackara é o projecto “Designers of the Time, aplicado em Middlesbrough, na Inglaterra.

Os objectivos deste projecto passavam por diminuir a distância entre o que as pessoas comem e o local onde os alimentos são produzidos, assim como a promoção de uma nova e mais saudável maneira de pensar as relações entre moradores e comida. Desta forma, com a ajuda de profissionais, os cidadãos passaram a plantar o seu próprio alimento em pequenos, médios e grandes espaços urbanos. Foram distribuídas caixas com terra, para serem postas perto das janelas das casas e cultivaram-se alguns terrenos livres dentro da cidade. Paralelamente, também foi criada uma Assembleia para a Alimentação que coordenava todo o projecto.

Esta experiência envolveu mil cidadãos e deu como resultado, no final do primeiro ano, uma refeição para 7 mil pessoas, preparada exclusivamente com alimentos produzidos dentro dos limites da cidade.

Refeição servida a 7 mil pessoas, no âmbito do projecto “Dott 07”, dirigido por John Thackara, em Middlesbrough.

Outro conceito que surge como uma alternativa aos actuais sistemas alimentar e agrícola – fortemente dominados pela indústria agro-química – é a Soberania Alimentar.

A Soberania Alimentar é o direito dos povos, comunidades e países a definirem as suas próprias políticas agrícolas, pecuárias, laborais, de pesca, alimentares de forma a serem ecológica, social, económica e culturalmente apropriadas às suas circunstâncias exclusivas. O que inclui o direito real à alimentação e à produção de alimentos. O conceito, proposto em 1996 pelo movimento internacional Via Campesina, só começou a ganhar protagonismo depois das manifestações de Seattle contra a cúpula da Organização Mundial do Comércio, em 1999, quando passou também a ser reclamado pela federação ambientalista Amigos da Terra.

Este conceito, que defende a agricultura orgânica em alternativa à industrializada, considera que a produção camponesa em pequena escala pode ter um elevado rendimento, ao mesmo tempo que usa menos combustíveis fósseis, especialmente se os alimentos forem comercializados local ou regionalmente. O investimento na produção orgânica familiar garante também por isso uma boa opção para lutar contra as alterações climáticas.

No âmbito da comercialização, o conceito também se apresenta como uma alternativa para quebrar com o monopólio da grande distribuição, apostando em mercados locais, venda directa, grupos de consumo agro-ecológico e cooperativas. Um dos exemplos deste modelo de produção e consumo é o sistema de Cesta Semanal.

Estes modelos privilegiam a proximidade no relacionamento – pessoal e comercial – entre produtor e consumidor, estimulam a confiança e o conhecimento mútuo, ajudam a fixar os preços com base no diálogo e promovem o consumo de produtos frescos e de época, o que também nos permite falar de um comércio justo local.

Cesta Semanal, um conceito de comercialização de alimentos frescos e de época.

Bibliografia e webgrafia:

THACKARA, John.  Plano B: O design e as alternativas viáveis em mundo complexo. São Paulo: Saraiva e Virgília, 2008.

Designs of the time (Dott 07) – http://seeproject.org/casestudies/Dott%2007%20-%20Design%20of%20the%20Time%202007

Dossier Soberania Alimentar – http://www.modevida.com/downloads/dossierSoberaniaAlimentar.pdf

Fórum Nyeleni Europa 2011: fortalecendo o movimento europeu pela Soberania Alimentar, – http://gaia.org.pt/node/16050

Filed under: Design, ONG's e sustentabilidade

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: